domingo, 9 de abril de 2017
sábado, 8 de abril de 2017
A ENTREVISTA DE PASSOS DESTA SEMANA E A CONSTATAÇÃO DO ABISMO
Escrevi no FB (em texto datado e assinado para quem se quiser dar ao trabalho de o respigar) que a afamada "geringonça" duraria vários anos no poder (provavelmente até ao fim do mandato deste Governo).
Disseram-me que não; que era impossível. E eu ri-me, porque era óbvio: nunca tão baixas expectativas e o "leitmotiv" da sobrevivência no "poder" (para os três partidos envolvidos) se tinham alinhado numa conjugação tão perfeita. Acrescia um importante detalhe: Costa, Centeno e vários outros tinham aptidões políticas (nuns casos) e técnicas (noutros casos) que tornavam a coisa manifestamente evidente.
Volto a dizer: era óbvio. E só a cegueira de quem discutia o tema com o fanatismo com que se discute um Porto-Benfica ou um Benfica-Sporting explicava que houvesse sequer discussão.
Não tenho filiação política (nunca terei, embora tenha pena de ter dito que não às oportunidades que me foram dadas para contribuir para essa coisa inolvidável que é o "bem da nação"), mas tenho grande interesse por tudo o que é político (sempre tive e, afinal, podia ter-me dado para pior...). Maior interesse só tenho mesmo na observação dos mecanismos químico-cerebrais que explicam o vigor do fanatismo (destes e de outros tempos): aquela cegueira que se presta, a todo o tempo, a justificar o injustificável.
Quanto a isto, o segredo bem guardado é apenas o de que invejo a tenacidade com que se acredita no que contraria o óbvio: é a tenacidade dos loucos no seu esplendor. Que invejo, repito.
A última entrevista de Passos - aos inefáveis J.G. Ferreira e Bernardo Ferrão (o panegírico de apresentação do último, no Expresso "online", demonstra bem a cretinice reinante e, sobretudo, a do próprio; quanto à ignorância e pacovinice do primeiro, por ser consabida, há pouco a dizer...) - é outra comprovação do óbvio.
Está agora muito em voga começar a evidenciação de qualquer ponto de vista por um inacreditável (e boçal) "eu vou explicar". Ora, para falar do que é evidente, não farei coisa diversa: passarei à "explicação" (como se alguém precisasse dela...). De facto, tamanhas evidências convidam a uma certa boçalidade - é melhor isso do que a propaganda ao cangalheiro (sendo que há vários).
Adiante.
Passos devia ter percebido - e acredito que não tenha percebido por falta manifesta de mais coisas para fazer (esta é explicação melhor do que acreditar que se convenceu que era o messias da nação) - que devia ter cavado (sim, cavado, pondo-se a milhas por uns tempos) assim que lhe demitiram o último governo.
Era perfeito: tinha ganho as eleições nas urnas, podia dizer que cumprira com denodo a sua função de salvar o país dos desmandos da governação socrática e... já estava. Não interessaria saber, aliás, se era verdade ou não (e eu não estou agora a dizer que é...).
O resto (acompanhado da dialéctica do "não havia alternativa" - "TINA") era uma manobra de manual: arranjar um líder provisório da sua confiança que desse o corpo ao manifesto (tipo-Teresa Leal Coelho, a mesma agora usada no delírio autárquico de Lisboa) cuja substituição por ele próprio - mais à frente no tempo - seria fácil e inquestionável.
O capital político que para Passos resultaria desta manobra rudimentar era incalculável. Uma certa vitimização ia ajudar à festa. E o fado português do mito sebástico assegurar-lhe-ia uma hipótese real de regresso ao poder (com a mesma bandeirinha na lapela que persiste hoje em usar) - no momento certo.
Mas não.
Passos preferiu a estratégia "kamikaze" e, logo, sem esperança de um dia mais.
Preferiu expôr-se à insusceptibilidade da crítica ao governo da geringonça, pelas comparações óbvias que um país causticado e descrente sempre faria para com o governo anterior. Era óbvio que todas as críticas teriam "legitimidade-zero": um chefe de governo não defende o seu governo na oposição. Vem nos livros que Passos não leu.
Preferiu expôr o seu governo (o anterior) à inevitável chacota pelo que correu mal (pessimamente), em tempos em que não seria de esperar outra coisa.
Preferiu remeter-se ao papel patético de quem nada pode prometer na oposição, negando à oposição o seu papel primevo: o de poder vender alguma ilusão ao país.
Preferiu delapidar o capital político que lhe restava e que, num exercício elementar de lucidez, lhe permitiria, porventura, regressar.
Preferiu suicidar-se com a tenacidade dos loucos.
Acho que sei porque o fez: porque, no recato do travesseiro, ainda acha que o futuro lhe dará razão, transformando-o no tal mártir regressado em consagração sebástica. Mas não. Porque "a razão" não lhe será dada a ele. Nem aos seus, para gáudio de quem andou a pilhar à fartazana até 2011.
Para compôr o festim da decadência néscia a que resolveu entregar-se, Passos resolveu respeitar os símbolos da crispação e da incompetência: colou-se a Maria Luís Albuquerque, a qual dera (e continua a dar todos os dias) provas da ignorância óbvia que ressaltava do respectivo currículo. E compôs o ramalhete genuflectindo perante Cristas, símbolo de um neo-moralismo bacoco e de uma aspiração a uma pseudo-tecnocracia incompetente que infesta Lisboa (por detrás de currículos provenientes da degenerescência académica do país).
Há ainda a tragédia do grupo parlamentar. Mas essa nem merece comentário.
É isto o pior?
Não, claro que não. O pior é mesmo que o país precisa de um PSD forte (assim como precisa de um PS forte, como agora tem). PSD que poderá ficar irremediavelmente em escombros (por muitos e muitos anos - demasiados) caso não seja aplacada a cegueira messiânica de Passos (agora definitivamente sozinho, rodeado por uma triste "entourage").
A entrevista aos Senhores Ferreira e Ferrão na SIC apenas confirmou tudo isto. Não foi novidade. Sendo certo que tal foi confirmado pelo afã de Passos em falar de banca, provavelmente por achar que ouve de quem sabe da poda (o que é para rir).
Teve, de resto, o condão de dar razão aos comentários que o imprestável e maçador Jorge Coelho se viu com legitimidade para poder fazer. E, desta vez, com razão, o que mostra a embrulhada (outra vez a "TINA", agora em nova versão...) em que estamos metidos.
sábado, 25 de março de 2017
domingo, 19 de março de 2017
Insanidades e o turbo do ódio
Nem sei por onde começar.
Sócrates, Banco de Portugal e Núncio, Passos Coelho, Assunção Cristas, etc. e tal.
A ordem não interessa. Portanto, comecemos por evidências: Sócrates. Assim como é evidente que prevaricou (só quem é cego é que não vê, sobretudo tendo em conta o que o próprio já disse que fazia - e isso pode não ter relevo criminal, mas já pouco importa), é absolutamente evidente que MP e magistratura judicial não podiam ter feito, até agora, muito pior. Empate? Não. Apenas a vitória da insanidade. E o turbo do ódio de parte a parte (reflectido em opiniões descabeladas e intolerantes, quer de um lado, quer do outro). Só uma coisa mais: não me venham com a história da presunção de inocência porque, felizmente, não sou juiz.
Cristas e a praia: sem comentários. A prova de que esta nova geração é de plástico. Não tenho palavras para tanta imbecilidade. Nunca tive grandes dúvidas acerca disso, mas era escusado tê-lo tornado tão óbvio. É insano. Ponto. Mas vendia bem nos preclaros media.
Passos - que fez muito melhor do que muito boa gente pensa numa altura particularmente difícil - não teve a coragem de fazer o que era óbvio que devia ter feito: ganhar as eleições e, perdida a governação, desaparecer por uns tempos (que podiam até ter sido curtos). Simples e eficaz: a geringonça (como força reactiva - ou "coligação negativa" - que é) já tinha perdido muito do assunto há muito tempo, o seu governo com o CDS (que fez várias coisas boas, sobretudo se se atender às adversidades da época) teria sido protegido (mas isso é nobreza de carácter que já não existe), e estava poupado o embaraço (imensamente prejudicial para o país) de uma oposição inexistente. A este propósito, tem piada a confirmação da candidatura do partido à CML: a exuberância de tanto desnorte só pode resultar de uma espécie de turbo do ódio de quem sente que, depois de não ter desaparecido a tempo, dificilmente acertará uma. Porque não quer, mas, sobretudo, porque já não pode. Nem voltará a poder.
Aclaro um pouco mais: Passos ter-se-ia afastado com tudo, sobretudo se acreditava que o diabo ia chegar (o que pode perfeitamente acontecer), para regressar em glória (ou, ao menos, como injustiçado). Ao contrário - e porque estava cego pelo ódio de uma derrota que não soube aceitar nem compreender (sobretudo por ter ganho nas urnas) -, resignou-se a delapidar tudo e a sujeitar-se a um desgaste que nenhum líder da oposição tem que enfrentar: chega a parecer que responde ainda por um governo. Um governo que já não existe, claro.
O assunto do Banco de Portugal nem sequer tem nome: depois de tudo o que aconteceu, a mínima noção de responsabilidade só podia ditar que o Governador já estivesse no Hawai. Mas não. Quanto a Núncio, esse, depois da panóplia de mentiras (sim, mentiras) que começou por debitar, já devia estar no Panamá. Enfim.
Tudo isto vai acontecendo enquanto um exército de opinadores cretinos se digladia como se estivesse, tendenciosamente, a discutir bola (o que seria legítimo).
Depois não se queixem.
domingo, 12 de março de 2017
sexta-feira, 10 de março de 2017
Luatyces
Isto de ver o Hélder Amaral a perorar sobre "champions league" é a mesma coisa que assistir a uma conferência de Eduardo dos Santos sobre direitos humanos.
Tremeliques
Esta coisa de o BdC ter feito o Benfica tremer perante o Dortmund foi um bocado foleira.
domingo, 5 de março de 2017
sábado, 4 de março de 2017
Subscrever:
Mensagens (Atom)