E será com a mesma determinação deste monstro
domingo, 27 de setembro de 2015
sábado, 26 de setembro de 2015
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
sábado, 19 de setembro de 2015
A casta (e o "calem-me esse filho da...")
No post abaixo, está retratado um episódio belíssimo da campanha para as presidenciais de 1986.
Soares - goste-se ou não dele - foi uma personagem incontornável da história política do país. Mas também o exemplo vivo de uma certa forma de fazer política - que só pode ser compreendida à luz do seu tempo.
Há muitas coisas que, no futuro, serão discutidas sobre Soares. Da importância da Fonte Luminosa ao descalabro da sua última aventura presidencial, em que Alegre o aniquilou.
Soares é, de resto, um exemplo flagrante dos malefícios da recusa em sair de cena no tempo certo.
Tivesse Soares sabido resistir à tentação de se candidatar a deputado europeu (atrás da hipótese - que sabia perdida - de se tornar presidente do Parlamento Europeu) e, depois, a um terceiro mandato como Presidente da República, e a história que se escreverá sobre ele seria diferente.
Soares, na hipótese de ter saído a tempo da cena política activa, seria hoje um senador quase unânime que não é. E com uma influência praticamente imbatível, que delapidou.
Mas o que o episódio relatado abaixo por Henrique Monteiro retrata (o célebre "Calem-me esse filho da puta") vai muito para além de Soares. Como a cena em que o mesmo Soares, já presidente, diz a um guarda republicano que vá para casa.
É que Soares, nesta parte, representa uma certa casta.
Uma casta muito particular que sempre se reclamou de "esquerda" e que ainda hoje existe em Portugal.
Uma casta pedante, supostamente intelectual, convencida de que detém um direito natural a mandar nos outros (que são sempre uns "parolos", sem direito a abrir a boca).
Esta casta é normalmente senhora de uma ignorância insuportável (não é o caso particular de Soares) mas, sobretudo, de uma ilimitada soberba sobre os outros, a qual assenta, quase sempre, numa preguiça irresponsável feita de uma inutilidade total para trabalhar sequer um segundo.
Esta casta sempre existiu em Portugal.
São supostamente tolerantes para com os outros (na verdade, suportam-nos), e dizem-se munidos dos valores da "esquerda". Da sua esquerda, claro - a que lhes interessa: sem o fedor dos trabalhadores.
Não é Soares que me importa. São os que, ainda hoje, vivem exactamente do modo que ele representou. E que - para sermos justos - são muitíssimo piores do que ele.
"Calem-me esse filho da ..."
"Alguém imagina como foi a primeira volta da candidatura de Soares a Presidente em 1986? Penso que quase ninguém! O histórico socialista tinha deixado o Governo, depois de uma intervenção do FMI e o país estava cheio de chagas sociais. O Bispo de Setúbal, Dom Manuel Martins, conhecido pelo ‘Bispo vermelho’ referia os casos de fome no seu distrito, ou Diocese. A CGTP clamava contra os salários em atraso, que era o pão de cada dia. O PCP tinha prometido jamais votar em Soares, por ele ser um reacionário consumado (na verdade, entre a primeira e a segunda volta, fez um congresso extraordinário e apelou ao voto nele contra o candidato da direita, Freitas do Amaral, apoiado por Cavaco Silva – o mal de se ser velho é que se já viu muita coisa).
Soares partira para as presidenciais depois da mais monumental derrota do PS, que tivera pouco mais de 20 por cento, contra 29% do PSD e 18% do PRD um partido formado por apoiantes do Presidente da República cessante, Ramalho Eanes (parece-vos outro país? Mas é o mesmo e os nomes ainda andam por aí). As sondagens para as presidenciais davam-lhe oito por cento, atrás dos dois outros competidores de esquerda, infelizmente já ambos falecidos: Maria de Lurdes Pintasilgo, apoiada por independentes e pela extrema-esquerda (o que será hoje o Bloco; o seu chefe de campanha é o número um das listas de Marinho e Pinto por Lisboa, o capitão de Abril Rodrigo Sousa e Castro); e Francisco Salgado Zenha, fundador do PS e ex-número dois de Soares, apoiado pelo PRD de Eanes, pelo PCP e disfarçadamente por muitos socialistas (Soares tinha o apoio de membros do PSD descontentes com a escolha de Freitas por ser muito à direita – juro! – como Helena Roseta, Rui Oliveira e Costa, Fraústo da Silva, Alfredo de Sousa, ou Rogério Martins).
Bom, este era o quadro.
Soares, em plena campanha, passa pelo Tramagal, sede da Metalúrgica Duarte Ferreira onde havia, desde 1984, constantemente salários em atraso (a empresa, que remontava a 1923 e mantinha o nome desde 1947, seria extinta em 1995). À sua espera, diante de uma camioneta de caixa aberta que serviria de palco, estariam 20 ou 30 pessoas. Não mais. O resto da terra era basicamente afeta ao PCP.
Soares saiu da sua viatura um pouco antes do palco improvisado e, atrás dele, a uns metros de distância, um homem grita-lhe: “Malandro! Traidor! Paga o que deves! Salários em atraso! Miséria!”.
O candidato não lhe liga e segue o seu caminho, mas o homem não desiste e continua com os impropérios, talvez misturando uns palavrões.
Soares sobe à camioneta e dirige-se ao microfone. O homem coloca-se por detrás do veículo e continua a ladainha: “Salários em atraso - malandro! Paga o que deves!”.
Nisto, Soares olha para o lado e pede a um assessor, no seu melhor vernáculo: “Calem-me esse filho da puta!”.
Mas o microfone estava aberto e estas foram as suas primeiras palavras no Tramagal.
O que para outros seria uma tragédia, para Soares não passou de um pequeno episódio. Ao fim do comício, estava animado e pronto para partir para outra".
Henrique Monteiro - Expresso
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Morto
Sempre tive o poder de matar em mim. Não sei se é bom, ou se é mau. Francamente, pouco me importa. É um dado de facto.
Refiro-me à pura e simples liquidação de alguém: inexorável, inelutável.
Não consigo fazer isto sempre: só mato em mim quem significou alguma coisa. Mas este aparente paradoxo nasce de uma lógica inquebrantável: quem nunca significou nada, não é susceptível de ser morto em mim porque, já de si, significou sempre nada - em mim.
A faculdade de eliminar o outro é o correlato da importância que o "viver-com-o-outro" tem. Não somos mais do que esse "viver-com-o-outro". Tudo porque o "outro" é um predicado necessário de "nós".
Eis, pois, logo por aqui, porque é especialmente fácil matar - em nós - os que nunca se lembram do outro e vivem somente centrados em si, geralmente embevecidos.
Com isto sempre incompreendi os que necessitam de eliminar fisicamente alguém. Porque não matá-los simplesmente em nós?
É o que faço, sem dificuldade de maior.
Torna-se-me mais fácil decretar estes óbitos quando o morto era supostamente erudito mas nunca foi capaz de escrever uma linha.
Em regra, nunca ter escrito uma linha é a consequência da desvalorização dos outros: como só o "eu" (deles) interessa, vivem na presunção de que só eles compreendem, de que só eles sabem; e que os outros não merecem - ou não podem - saber. O esforço de se fazer compreender - o esforço de comunicar - deixa, assim, de fazer sentido. E, por isso, nunca escrevem ou escreveram. Fechados numa imbecilidade só igualada pela enormidade do respectivo ego.
Mas a verdade dura é que nunca escrevem (nem escreveram) por pura e simples incapacidade. Pelo absoluto falhanço em se fazerem compreender. Pelo eterno convencimento de que, quando escreverem, produzirão a essência das essências. O que jamais sucederá, por motivos óbvios.
Porque se pudessem - e soubessem - escreveriam. Para alcançar a imortalidade que o seu amor próprio (só por si, claro) reclama. Tudo porque, no fundo, sabem que a morte física só é vencida pela presença nos outros, que ocorre também quando alguma linha, depois dessa morte, é lida.
Quando não há nada para ler, és fácil de matar.
E assim é. Numa penada.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
terça-feira, 15 de setembro de 2015
domingo, 13 de setembro de 2015
sábado, 12 de setembro de 2015
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
O debate
Vamos ao que interessa. E sem rodeios: Costa ganhou o debate - que mais de 3 milhões de pessoas viram.
Interessa esclarecer que esta é uma opinião sobre o debate e não sobre o que considero que fosse melhor que ocorresse nas próximas eleições, das quais, sinceramente, não acho que vá resultar nenhum desfecho que interesse (como esclarecerei a seguir). Mas, neste momento, é para o lado que durmo melhor.
1) O primeiro ponto que considero relevante é este: como há vários anos defendo, estes debates, ao contrário do que nos tentam vender, são importantes. E, às vezes, decisivos.
Foi, por exemplo, assim - como na altura defendi - que Passos ganhou as eleições de 2011 a Sócrates, a despeito de muita gente ter dito que não houve vencedor claro no debate de então. É falso: Passos ganhou claramente esse debate a Sócrates (e lembro-me, com nitidez, que Miguel Sousa Tavares - goste-se ou não dele - foi dos poucos que teve a coragem de o dizer, nessa altura, sem rodeios. Hoje, toda a gente o diz).
A teoria de que os debates não interessam - sobretudo debates como este, vistos por tanta gente - é patética.
O formato destes debates está longe de ser o ideal e é evidente que não servem para apresentar "propostas": isso é impossível de fazer nos dois minutos que cada candidato tem para falar a respeito de cada ponto. Mas o poder de influência nos eleitores é infinitamente superior ao de comícios ou encontros que terminam à volta de sandes de mortadela e onde só vão os que já decidiram o seu voto. E isto é tão evidente que não carece de mais explicações.
Dir-se-á: mas os indecisos não decidem a orientação do seu voto em função dos debates. Talvez. Mas a certeza é que decidirão essa orientação muito mais facilmente em função de um debate que viram do que em resultado da cobertura mediática minimal dada aos eventos "clássicos" de campanha (cartazes, comícios e parafernália do género).
2) Nem Passos nem Costa são grandes tribunos ou têm o dom da palavra. Mas o estilo de Costa - que é muito mais eficiente do que Passos em asserções curtas balizadas por tempos de dois minutos ou menos - constituiu para ele uma vantagem que soube aproveitar.
O formato do debate confirma, aliás, uma coisa que já fui dizendo: como é impossível, em dois minutos, defender o que quer que seja para o "futuro" da acção governativa, é preciso assumir que estes debates servem, sobretudo, para abrir feridas no contendor. A eficácia destas feridas depende, de resto, da elevação e do estilo com que são abertas.
Facto é que ninguém assiste a estes debates esperando ficar com uma ideia mais clara do que se seguirá no futuro - as pessoas vêm os debates (e valorizam-nos) em razão das estocadas que querem ver desferidas num dos candidatos.
É triste, mas é assim.
E, malgrado não haja "vencedores" num debate sério, a verdade é também que as pessoas esperam (e desejam) que deles resulte um "vencedor". Isto é exactamente assim. São as regras do jogo e não vale a pena ignorá-las.
3) O formato deste debate teve, aliás, propriedades interessantes.
Os três jornalistas presentes, munidos de perguntas rupestres, interromperam constantemente os dois debatentes, esquecendo, muitas vezes, que ninguém os queria ouvir a eles, jornalistas. Paciência - também faz parte das regras do jogo.
Mas o mais substancial é que insistiram na tecla de que "é o futuro que interessa" e que era sobre o futuro que queriam obter respostas.
Convém reparar que isto ilustra o estado do jornalismo: os senhores jornalistas consideram curial que, em menos de dois minutos, os candidatos dêem respostas sérias sobre medidas que pensam levar a cabo em áreas tão complexas como o mercado do emprego, a subsistência do sistema de segurança social, etc. Pura ilusão, como é óbvio.
Resultado: o debate, em vez de servir para os debatentes dizerem o que querem e o que as pessoas querem ouvir - e as pessoas querem também ouvir falar do "passado" porque só sobre o "passado" é possível discutir com mais dados -, serviu para um exercício de jornalismo grotesco. Mas são as actuais regras do jogo, que não servem de desculpa a Passos ou a Costa.
4) Passos decidiu seguir sem hesitar as instruções dos "experts" de Marketing político brasileiros. Consequência: as hesitações foram mais do que muitas. E não somos o eleitorado brasileiro, para o melhor e para o pior.
Curioso é, aliás, que Passos se apercebeu disto mesmo durante o debate: nota-se claramente a sua perda de fé no guião que levava, à medida que o tempo passava. Mas já era demasiado tarde. E Costa, claro, aproveitou - e com mestria.
5) Os feiticeiros do Marketing aconselharam Passos a colar Costa, com toda a força e sem subtilezas, a Sócrates.
Esqueceram-se que o eleitorado não é idiota. E que é mais susceptível de ser influenciado por mensagens subliminares do que por referências expressas, constantes e, muitas vezes, despropositadas.
Toda a gente sabia que Passos não estava a debater com Sócrates. Toda a gente. E. por isso, a única hipótese de colar Costa a Sócrates era dizer-lhe, uma ou duas vezes (era o bastante), e com acutilância, que tinha sido o "número dois" nos Governos de Sócrates (e que, como tal, não podia furtar-se a responsabilidades directas pelo que sucedeu antes de 2011). Mas isto não souberam dizer a Passos para fazer. E ele, que tem obrigação de fazer o que acha bem, não fez.
6) Chegou, portanto, a ser ridículo ver Passos, tantas vezes, a fazer de conta que estava a debater com Sócrates. Foi penoso.
E Costa, nesse aspecto muito bem, aproveitou a oportunidade soberana para se demarcar - e com um soundbyte: "Vá visitá-lo e discuta com ele".
7) Dizem que estes debates nunca devem ser "ganhos" por K.O., porque isso desperta um sentimento de misericórdia nos espectadores, que pode ser contra-producente para o vencedor.
Duvido que isto seja assim. Mas o que Costa fez foi ganhar aos pontos, com vantagem clara. Mais: acho que ganhou por K.O. técnico, o que é vantajoso para ele segundo qualquer teoria.
8) Mas o que faltou a Passos, impossibilitando-lhe qualquer hipótese de ter feito um debate aceitável?
Quase tudo, porque os brasileiros não percebem nada de política portuguesa: de marketing eleitoral, sim; de debates em Portugal, não.
Era, pois, a Passos que cabia ter identificado o óbvio - que a maneira de encostar Costa às cordas era (sobretudo naquele formato televisivo):
(i) por exemplo, fazer lembrar com afinco o entusiasmo demonstrado por Costa, no passado (esse sim recente), com a vitória e linha política seguida pelo Syriza (a única referência que Passos fez a isto foi completamente inoperante, porque não quis trazer uma ideia de Europa ao debate), porque isso é sintoma de uma certa predisposição para o aventureirismo (que era o que Passos queria colar a Costa);
(ii) por exemplo, vincar bem a ideia de que o programa do PS de Costa só é possível porque o país, não estando nada bem, está indubitavelmente melhor do que há quatro anos atrás, tal como Costa asseverou aos chineses que estavam na Póvoa do Varzim;
(iii) por exemplo, contra-atacar eficazmente - e sem rodeios -, a respeito da ideia de depauperamento social, vincando a ideia simples (que lhe dava espaço para demonstrar o entusiasmo que nunca demonstrou durante todo o debate) de que queria agora a oportunidade, depois dos sacrifícios que teve que impor ao país, para governar com melhores condições económicas, a fim de resolver também problemas "sociais";
(iv) por exemplo, vincar bem a ideia de que a Troika teve que vir por causa da actuação de um governo que Costa integrou e pelo qual foi um dos máximos responsáveis; e perguntar-lhe, de forma incisiva, e repetidamente, "sente-se ou não responsável por isso"?
(v) por exemplo, retorquir a Costa dizendo-lhe que também ele - Costa - não estava a debater com António José Seguro;
(vi) por exemplo, explicar que ele - Passos - já tinha provas dadas durante 4 anos (boas ou más) e que isso é muito mais de confiar do que um programa assente em projecções macro-económicas que nunca acertam, tal como sucede com o PS (e isto servia também para arrumar com a acusação de Costa de que "a coligação não tem um programa");
Etc.; etc.
9) Passos não fez nada disto. E, preso aos conselhos dos brasileiros, remeteu-se a uma defensiva de que só podia resultar um hara-kiri. E contentou-se com golpes inofensivos: Sócrates e mais Sócrates, o dinheiro que o Governo tinha dado à Câmara de Lisboa liderada por Costa (esta correu mesmo mal...) e pouco mais.
Palavroso, e nunca conseguindo despir o casaco de primeiro-ministro (e não era nessa qualidade que ali estava), Passos foi rotundamente ineficaz (o que é mortal naquele formato televisivo). Com efeito, alguém se lembra de um ponto - daqueles que fique - trazido por Passos no debate? Eu não.
10) Costa, bem ao contrário, não se preocupou quase nada em falar de coisas concretas quanto ao futuro, porque sabe que tal pouco importa. Não prometeu e conseguiu até gabar-se de que não prometia, o que lhe permitiu marcar pontos.
E, de forma eficaz, ocupou-se, sem tergiversações, de deixar bem marcadas as mensagens que lhe interessavam:
(i) que tinha gerido superiormente, do ponto de vista financeiro, a Câmara de Lisboa;
(ii) que Sócrates não estava ali em debate - quem estava a debater era Costa;
(iii) que havia programas implementados pelo Governo que eram uma autêntica piada - o exemplo do programa "Vem" foi expressivo;
(iv) que a austeridade tinha que ser agora substituída por politicas de crescimento (embora sem explicar quais, mas o tempo não dava para isso, o que foi para ele um alibi perfeito);
(v) que o Governo quis ir "além da Troika", como a certa altura alardeou, sendo por isso responsável por uma acrescida austeridade.
Marcar cinco ideias era o bastante para ganhar a quem não tinha conseguido marcar nenhuma que importasse. E assim foi.
11) Resultado: como os debates interessam, Costa ressuscitou. E pode agora ganhar as eleições.
Mas há uma coisa que é certa: não haverá maiorias absolutas para ninguém, porque os tiros no pé que o PS vinha dando em abundância estão agora estancados. Porque Costa ganhou o debate, sem dúvida.
Pena é que o país continue tanto a precisar de um governo maioritário, qualquer que ele fosse. E esse, não vai existir.
domingo, 6 de setembro de 2015
sábado, 5 de setembro de 2015
terça-feira, 1 de setembro de 2015
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Trogloditas - David Irving
Este atrasado mental, esta fraude, este burlão, considera que seria necessário que houvesse mais "documentos" para que se pudesse aceitar o hediondo crime nazi nos campos de concentração.
E tem adeptos - daqueles supostamente iluminados (mas, felizmente, sozinhos).
Para David Irving era porventura preciso encontrar escrituras públicas ou documentos autenticados por notário para que se pudesse reputar de "verdade" (a eterna paranóia dos esquizofrénicos) a chacina de Auschwitz.
Churchill, por exemplo, foi para Irving um aproveitador nato (embora por ele citável) que tudo fez para que os boches se decidissem pelo início dos bombardeamentos de Londres.
Outra curiosidade é a sua visão do médico de Hitler: como há "documentos" (!), estes servem apenas para provar que o Fuhrer não sofria de malformações sexuais. Mas já não interessam para provar que terminou um drogado com Crystal Meth e cocktails de anfetaminas (se calhar, com Parkinson...).
Esta besta quadrada é um refúgio envergonhado para anti-semitas (e basta ver uns vídeos para perceber que é esse, justamente, o seu objectivo candente).
"Documentos"!....
Mas diz que nunca leu o "Mein Kampf" (LOL). Não interessa: há muitas versões.
Os "diários" são importantes fontes históricas - mas quando são de nazis!
As questões postas a propósito da autenticidade de documentos incómodos (para ele) nunca são colocadas a respeito de documentos "convenientes" (os dos boches, claro).
Para Irving, a destruição de documentos (para a qual houve muito tempo, porque os alemães sabiam que iam ser cilindrados desde, pelo menos, o início de 1944) não releva.
Interessam, por exemplo, as "conversas à mesa" do Fuhrer (dactilografadas, claro, por um nazi) que, segundo esta avantesma, demonstram um homem cultíssimo e incapaz de qualquer massacre ou assassínio (descontada a "noite das facas longas"...).
Bem sei que foi este idiota a destacar que o bombardeamento de Dresden foi um massacre também. É verdade. E daí?
Uma coisa desculpa a outra?
Talvez Irving pudesse explicar que ainda hoje nenhum pássaro se aproxime de Birkenau ou de Auschwitz! Ah, pois, mas isso não está em papel timbrado!...
Para a burla de Irving (e para a fraude que são todos os que lhe dão crédito - na maior parte, profundos ignorantes convencidos de que sabem "segredos"), Hitler, por exemplo, estava profundamente desinteressado do Nazismo. Conveniente.
O Ziklon B devia ter deixado mais rasto nas paredes de Auschwitz, segundo ele. Revelador.
Himmler não se suicidou e foi morto pelos Ingleses, diz ele. Esse oportunista vendedor de frangos devia ter sido liquidado bem antes, digo eu.
Mas ficam alguns vídeos. Vistos com atenção, dispensam qualquer outro "documento". As contradições são tantas, o ódio é tão evidente, que não é preciso mais.
Adoro estes pseudo-detectives, como Irving. Parecem bonecos em bicos de pés.
Mas são um nojo, como a maioria das pessoas sensatas diz. Ponto final, parágrafo.
Aqui, bem apertado:
E eis qualquer coisa sobre os relatórios médicos de Hitler:
E que tal leres um bocadito de Ian Kershaw?
Ah... e quase me esquecia de como vê Churchill:
Em suma: Arbeit macht frei!
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
terça-feira, 11 de agosto de 2015
sexta-feira, 31 de julho de 2015
quinta-feira, 30 de julho de 2015
quarta-feira, 29 de julho de 2015
terça-feira, 28 de julho de 2015
Pablo Iglesias, a batalha contra o medo e Portugal
Pablo Iglesias vai perder a batalha que elegeu como decisiva: a batalha pela ilusão; a batalha contra o medo. Por isso quer que se grite: "Si, se puede".
Pablo identificou, certeiro, a malapata de uma certa esquerda: Pablo quer ser poder. Não traz consigo um discurso cobarde de anti-poder. Porque Pablo sabe que é essa a fraqueza dos Blocos de Esquerda da vida e do que resta dos PC´s bonacheirões que defendem, quando é preciso, o Estalinismo envergonhado, a Coreia do Norte, os Putins do globo e a ditadura de Zedu.
Pablo escolheu o Chavismo da Venezuela e Correa do Equador. Mal.
Mas sabia que para ser poder precisava de apoios. E, sobretudo, de dinheiro. Porque o crowdfunding não chega.
À parte disto sobra Tsipras, que gerou o pânico que vai matar Pablo.
Mas vamos ao que interessa.
Pablo tem chama, tem retórica, acredita. Tem esperança. Tudo o que falta hoje.
Quiseram fazer dele um alvo fácil. Não lhe podiam ter feito maior favor. Pablo Iglesias não é nenhum idiota, nenhum parolo. Tem uma formação impecável e, mais do que isso, tem a inteligência que não abunda nos que se lhe opõem.
Não estou de acordo com quase nada do que defende como projecto de poder (como aclarei aqui: ver link) .
Mas não cairei na armadilha que lhe pode dar a vitória: a tentação de o menosprezar.
Pablo fala de sonho e transporta com ele a ilusão. Luta contra o medo de uma grande mudança. E sabe que vai perder. Mas quer ser poder na mesma e sabe que essa é a única opção. Para que o que fique, mesmo na hipótese provável da derrota, seja grande e irremovível.
Mais: sabe que ninguém, agora, lhe pode proibir esse sonho - o sonho que transporta para o discurso.
Como dizia Churchill, comentando a incrível derrota nas urnas de 1945, o que interessa não é o que se ganhou. O que interessa é o que se convence quanto ao futuro.
Obama ganhou também por isso: "Yes we can"; "Change".
Em Portugal, não há Pablos.
Para poder, continua a haver só PSD/CDS e PS. Lugubremente.
Não me interessa quem tem o melhor discurso, nem quem tem razão.
A única coisa que sei é quem tem mais hipóteses de vender uma ilusão. Uma ilusão pequena, com certeza - à medida da nossa lucidez entristecida.
E é na coligação que vejo mais hipóteses de que alguma coisa seja vendida (porventura, "gato por lebre" - não é isso que agora me interessa): o sonho simples e acanhado de que se possam restaurar os benefícios perdidos, por se ter - com sacifício - atravessado o deserto.
Não é verdade, já se sabe. Mas é mais fácil de vender do que ilusão nenhuma. E é essa que está do outro lado.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
A propósito da criminalização do ENRIQUECIMENTO ILÍCITO - Lapidar
"Quem cabritos vende e cabras não tem, normalmente é dono de um talho. Ora essa".
(Pedro Caeiro, Escritos Breves, Instituto Jurídico, Faculdade de Direiro, Coimbra, 2015)
(Pedro Caeiro, Escritos Breves, Instituto Jurídico, Faculdade de Direiro, Coimbra, 2015)
quarta-feira, 22 de julho de 2015
terça-feira, 21 de julho de 2015
Call the police
Abandonar um tribunal arbitral, em cuja constituição se consentiu,
é, normalmente, expressão de grandes argumentos jurídicos em carteira.
http://www.publico.pt/economia/noticia/angola-abandona-tribunal-em-diferendo-de-diamantes-que-ameaca-relacao-com-portugal-1702585
sexta-feira, 17 de julho de 2015
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Grécia
"Chegará o momento em que tiraremos as mãos das carteiras e as poremos na consciência. Chegará o momento em que já não veremos os ricos que roubaram mas os pobres que ficaram. Em que não quereremos ressarcimento mas reparação. Em que perceberemos que não se pede sequer solidariedade, mas piedade. Em que nem os sádicos se divertirão com o espetáculo degradante dos políticos gregos. A União Europeia foi longe de mais na violência estéril e vingativa. Para destruir o Syriza está a ceifar-se um povo. Já não é indignação, é súplica: SOS Grécia. E se tudo o resto falhar, apele-se à inteligência, que não é de esquerda nem de direita, pois é preciso mudar aquele plano que, além de horrível, é burro, é mau, é pior para todos.
Nos palácios de Bruxelas, nos sofás de Berlim ou mesmo nos bancos de jardim de Lisboa permanece apetecível distribuir culpas e medir ideologicamente o debate. Mas nas ruas de Atenas já passámos essa fase. Sobra o desespero de saber que nada vai valer a pena porque pagar ou não pagar parece indiferente, o tudo ou nada resultará sempre no pouco, no de menos, no insuficiente, porque o plano não funciona. Repito: a Grécia vai ter uma recessão pior do que a que os Estados Unidos viveram na Grande Depressão de 1929. Repito: o plano económico vai falhar porque foi concebido para falhar. Repito: desistimos dos gregos e resistimos a ver o desastre encomendado.
O bloco liderado pela Alemanha ficou tão furioso com o desplante do senhor Alexis Tsipras na marcação do referendo que quis devolver-lhe em dobro a lição de superioridade. Até se percebe a fúria, que segundo os relatos da reunião de domingo do Eurogrupo fez com que o senhor Wolfgang Schäuble berrasse. Alexis Tsipras foi arrogante, marcou um referendo pérfido e achou-se nimbado de invencibilidade com os resultados, como se fosse dar uma tareia moral aos demais estados membros. Mas a Alemanha quis tanto destruir o Syriza, por vingança e por dissuasão a que outros países elejam partidos radicais, que perdeu a noção da força. Mais um pacote recessivo vai destruir mais economia e mais emprego numa economia já exangue.
A vitória sobre Tsipras foi retumbante. Até o perdão da dívida, que o Syriza sempre reivindicou, é agora formalmente admitido pelo FMI, mas de forma a culpar o partido, que não tem nada para mostrar. É ridículo ouvir Alexis Tsipras dizer que assinou um acordo em que descrê. É degradante vê-lo tripudiar o próprio Syriza e ancorar-se nos deputados dos partidos que detesta e que o detestam a ele. É assustador ouvir a presidente do Parlamento (que pertence ao Syriza e se junta aos 40 deputados que se afastaram de Tsipras) falar em genocídio social. Mas a humilhação suprema talvez seja ver Tsipras dizer que não há alternativa. Tsipras, o temível mastim indomável, está amestrado como um caniche. Dá dó. A direita rejubila. Também dá dó. Porque ninguém para, escuta e olha para perceber a loucura que estamos a patrocinar.
A loucura de ver um povo desesperado que, depois de cinco anos de austeridade duríssima, tem prometida nova dose de austeridade duríssima. A loucura de tornar o pagamento da dívida mais insustentável do que nunca, pela destruição económica provocada – se a Grécia sai do euro, os credores podem esquecer, vão receber raspas. A loucura de segregar dentro da União Europeia, cavando um fosso que nos vai apartar sabe-se lá até que lonjuras.
A Grécia só se livra desta sarna se, além do perdão de dívida que de qualquer forma terá, tiver um programa de estímulo económico. O mundo, aliás, só recuperou da Grande Depressão dessa maneira.
Percebe-se a pulsão de obrigar o país a adotar as reformas estruturais nunca adotadas, incluindo a de ter um Estado que funcione e que cobre impostos. Mas não é destruindo o espaço político e aniquilando a economia que tal vai ser conseguido. A violência na Praça Syntagma é desenrolada por grupos anarcas ruidosos mas pouco representativos. A miséria que se alastra, não: é de todos.
É preciso mudar o plano. Somar à austeridade um programa de investimento que estimule a economia e que apoie casos sociais de pobreza. Isso é ser inteligente, até porque é a única forma de tentar recuperar parte da dívida. Talvez a linha dura dos alemães queira apenas humilhar o Syriza e tenha feito um plano para que, depois da capitulação de Tsipras, mude o plano para melhor. Até seria bom que isso fosse verdade. Seria maquiavélico mas, ao menos, saberíamos que a loucura iria mudar. E que, portanto, a Grécia haveria de ter saída da crise em vez de uma saída do euro. Para já, o que vemos é o que temos, um país inteiro a afundar-se na desgraça.
Os gregos estão desesperados porque a situação é desesperante. Coloquemo-nos no lugar deles por um minuto: um governo de extrema esquerda ajoelhado depois de cinco anos de tareia, de desemprego e de austeridade, depois de décadas de corrupção e roubo institucionalizado com os governos de centro. E o que lhes dizem que se segue? Pobreza. Talvez a esta hora também estivéssemos na rua".
Pedro Santos Guerreiro - Expresso
Macau
A um dos sítios mais incríveis do planeta - pelo menos, do planeta que eu conheço.
Aqui o discurso faz-se na primeira pessoa do singular. Para o melhor e para o pior. Como eu sempre gostei.
Falaram-me, logo mal cheguei, de um certo efeito amplificador que Macau produz. Não percebi logo, mas acreditei. E é verdade.
Cada derrota é mais amarga em Macau. Cada vitória é mais retumbante em Macau. Cada percalço é aqui mais excitante. E o abandono e o que corre mal são aqui mais penosos.
À conta disto, cheguei a ter dificuldade em caber dentro de mim.
Não faço a mínima ideia porque é assim. Mas é. A própria paranóia cresce ao ritmo frenético das árvores.
E, por isso, as linhas saem mais direitas, por mais surrealista que seja o conteúdo.
Há mais vírgulas, mas só porque se tenta sempre ir mais fundo. Como no contraste que aqui existe entre um património ancestral e uma linha do horizonte feita de pura fantasia e do último grito.
Há muito mais para dizer. Mas agora não.
Até depois.
terça-feira, 14 de julho de 2015
Tudo muito simples. Como sempre, aliás.
"É muito simples
É formidável o número de pessoas que conhece e sabe explicar os problemas económicos, financeiros e culturais da Grécia. Alguém contou que não encontrou na Grécia uma única pessoa que não soubesse explicar o problema da Grécia e avançar imediatamente com uma solução.
Em Portugal nem toda a população é perita no problema grego. Eu, por exemplo, não sou. Quando me ponho a ler explicações, nos jornais e nas revistas mais sérias, sobre os problemas da Grécia não há uma só que seja convincente ou que não seja tautológica.
Antigamente eram os economistas os principais culpados. Agora é toda a gente. A variedade mais irritante de explicador é o que começa por dizer que o problema da Grécia "é muito simples". Como quem diz: "até tu, minha besta, vais perceber".Segue-se uma explicação que é, de facto, muito simples mas carece de potência explicativa. É caso para invocar o antigo ditado português que diz "muita palha come a besta, mas mais besta é quem lha dá".
Não sei nada sobre os problemas da Grécia mas ao menos sei que são com certeza complicados e que dependem do ponto de vista e dos interesses de todos aqueles que procuram defini-los e resolvê-los.
Quando cada pessoa que se pronuncia sobre a Grécia se convenceu que percebe o problema e está certa de conhecer a solução a única conclusão a tirar é, esta sim, muito simples. Entre estarmos quase todos enganados e termos todos razão já se sabe para que lado é que tende a probabilidade. Para o pior".
Miguel Esteves Cardoso - Público
segunda-feira, 13 de julho de 2015
sábado, 11 de julho de 2015
quinta-feira, 9 de julho de 2015
segunda-feira, 6 de julho de 2015
O dia do OXI
OXI!
Não sei se, para os Gregos e para o que resta da Europa, é bom ou é mau.
Em boa verdade, acho que ninguém sabe.
Uma coisa é certa: é o que é - com toda a força que a isto está sempre implícita.
E lembrei-me logo de um post recente daqui: http://arruadas.blogspot.com/2015/06/um-final-feliz.html
Alea jacta est.
Não sei se, para os Gregos e para o que resta da Europa, é bom ou é mau.
Em boa verdade, acho que ninguém sabe.
Uma coisa é certa: é o que é - com toda a força que a isto está sempre implícita.
E lembrei-me logo de um post recente daqui: http://arruadas.blogspot.com/2015/06/um-final-feliz.html
Alea jacta est.
domingo, 5 de julho de 2015
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